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content of this page (and other and other contained in focused site): here Ouça fragmentos das Obras melgacianas "Nunca apreciei o palavrório dos jargões musicais... Sempre achei a dita ‘crítica especializada’ – quando desbravando picuinhas terminológicas – causadora de sonolência e enfado. O músico norte-americano Elvis Costello, em certa feita, afirmara: ‘Falar sobre Música é o mesmo que Dançar sobre Arquitetura’. Concordo plenamente. Escrever também o é. E por isso lhes peço perdão pelo perfil heterodoxo das minhas intervenções... Otacílio Melgaço, em seus sítios eletrônicos, não insere datas que possam situar suas Criações. Ele crê na intemporalidade das mesmas, e eu adiciono o seguinte pensamento: ele crê pois percebe que se inscrevem muito mais numa concepção cronológica que desconstrói o Tempo do que de diacronia ou sincronia. Otacílio Melgaço reluta em revelar fotografias próprias – na internet – ou esgotar partes gráficas de suas Obras de seus cds não estão comumente presentes nas páginas virtuais pois, para ele – se bem o compreendo – seria uma maneira de lançar focos visuais (que existem mas devem se reservar à surpresa de quem buscará a suprema tactibilidade de cada disco) por sobre o que, em princípio, é genuina e subjetiva e invisivelmente sonoro. Por mais que o internauta possa estranhar tais artimanhas melgacianas - e tem todo o direito -, haverá de perceber que as lacunas temporal e ocular (apesar de saber que o Séc. XIX ou XX aqui ou acolá lhe são pilastras assim como, noutras circunstâncias, a antiguidade, a era medieval etc. Apesar de saber que Blake, Dürer ou Redon são a fonte plástica da qual pode partir o designer Melgaço) ...haverá de perceber o internauta que as lacunas temporal e ocular devem ser preenchidas a priori pela prospecção auditiva – mesmo que, de soslaio, sementeada pela palavra. Palavra exclusivamente reservada à minha responsabilidade, eleito pelo brasileiro como seu resenhador cibernético oficial – fato que me honra sobremaneira. Da Palavra à Nota Musical. Da Nota Musical ao Ruído. Do Ruído ao Silêncio. E, se do Silêncio houver o ato de ‘abraçar’ determinado(s) Engendro(s) discográfico(s) - na forma de auspiciosa(s) encomenda(s) como a Chave para um Elo Perdido -, terei cumprido minha missão de quase incógnito ‘paridor’. E somente a partir daí é que realmente nossa Odisséia (pela interdisciplinar artisticidade, pelo Museu de Tudo que é cada manifestação artística melgaciana) terá seu cabível início. Nossa notável iniciação... A partir daí, sim, dancemos, como deuses, sobre a arquitetura poético-sonora de Otacílio Melgaço." Pablo Suarez Paz (Musicólogo Argentino)
A u t o d o D e u s - M e n i n o Faixa Única - Tempo de Duração: 00:33:33 - Auto de Natividades -
Composição/Instrumentação/Voz/ Arranjo/Mistura/Transcriofixação/Arte: O t a c í l i o
M e l g a ç o Imagens: W.Blake Estúdio Y o k n a p o t a w p h a Copyright
O.M ©. - Todos os Direitos Reservados -
Resenha O.M.: O RECONCILIADOR DO CÉU E DA TERRA? Somente a
imaginação humana, somente o homem capaz de olhar livremente para o seu próprio
interior poderá ser verdadeiramente livre. É o caminho na direção dessa
liberdade que Blake traça em O casamento
do céu e do inferno, ao inverter as polaridades dos dogmas apregoados pela
religião e ao instaurar, por meio de uma poesia libertária, uma nova ordem, na
qual a vida, a sociedade e a história são reinauguradas. O inferno
torna-se, portanto, o verdadeiro céu. Para Blake, a 'Energia é única vida, e
provém do Corpo; e a Razão, o limite ou circunferência externa da Energia'. O
mal se transforma, assim, em bem, pois a 'Energia é o Deleite Eterno'. Inquieto
e iconoclástico, William Blake quer resgatar a percepção original da
realidade – 'Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo se mostraria
ao homem tal como é, infinito' – e destituir nossa relação com o real das
sucessivas camadas de mentiras que nos foram impingidas e que nos cegam. Esse
precursor de Nietzsche diria que 'tudo o que vive é sagrado'. De fato, em sua
supra-religião, a alegria, o prazer e todas as manifestações da sexualidade
deixam de ser malditas, reconquistando para nós, animais humanos, a integridade
que a absurda idéia de pecado um dia nos arrancou. “Auto é uma composição dramática originária da Idade Média, com personagens geralmente alegóricas, como os pecados, as virtudes, etc., e entidades como santos, demônios, etc., e que se caracteriza pela simplicidade da construção, ingenuidade da linguagem, caracterizações exacerbadas e intenção moralizante, podendo, contudo, comportar também elementos cômicos e jocosos... Pois bem, Otacílio Melgaço engendra um Auto de Natal, ou, como prefiro, um Auto da Natividade que estipula um casamento magistral: manifestações de um Jesus Cristo ainda criança/jovem (uma Natividade personificada que adquire voz - espaço - e vez - tempo -) e a profética retórica de William Blake! O próprio Melgaço traduz - de forma provocadora - parte da poética do romântico e a coloca nos lábios do Deus-Menino. Um exemplo: se em 'Garden of Love', Will critica o papel da Igreja, fato que é corroborado por alguns 'evangelhos' considerados apócrifos pela própria justamente por sugerirem que a relação entre o ser e Deus há de ser interior e diretiva - sem intermediações de instituições oficiais (sic) -, Otacílio à medida que se defronta com '...and priests in black gowns...' prefere traduzir 'gowns' não como 'hábitos' ou mesmo 'trajes/vestes' mas sim como 'vestidos'. O que poderia ser uma utilização literal demais do termo passa a ser um severo ataque, a meu ver, a questões da sexualidade de muitos sacerdotes. A contemporaneidade que nos revela certas 'atrocidadades' (vide pedofilia) cometidas por padres é uma prova de que Blake e Melgaço hão de ter razão. O
resultado dessa Obra artístico-mistagoga é enternecedor e pujante ao mesmo
tempo. Depois de apontamentos, a meu ver, indispensáveis a respeito do tema crístico
como A Última Tentação de C. e O Evangelho segundo J.C. (tomos
escritos respectivamente por um grego e um português), talvez somente poderia
partir de um brasileiro como Melgaço a perspicácia de encontrar ecos do mesmo
mote (e tão impecavelmente justapostos: Jesus/William) na pureza iconoclástico-messiânica
de Blake. Tanto o tratamento instrumental transemítico quanto as entonações
recitativas de Otacílio se substanciam dramática e alegoricamente a nos
comprovar o quanto realmente é nossa a
tarefa de, segundo o epifanista inglês: abrir os Mundos Eternos, de abrir a Visão (e, mais ainda: a Audição)
Imortal de cada um de nós para os Mundos Interiores de nosso Pensamento e do
que Além dele está. Do Auto do Menino-Deus para a Eternidade em contínua expansão...:
através da blakeana Imaginação (extra) humana de O.M." Buenos
Aires; Pablo
Suarez Paz Tradução:
Viriato Fortuna
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